O nome Itaquera é de origem tupi e quer dizer “pedra dura”. Situado na zona leste de São Paulo, com mais de 204.871 habitantes, a primeira referência que se tem notícia sobre Itaquera foi em 1686, quando o nome do bairro aparece em uma Carta de Sesmaria e só em 1875 a povoação começa a desenvolver-se com a inauguração da estação de trem no dia 6 de novembro de 1875, data escolhida pela comunidade como a do aniversário do bairro.
Em 05 de agosto de 1961 foi inaugurado o Hospital Santa Marcelina, que
desde então vem prestando atendimento aos cidadãos da Zona Leste e de
outras regiões. Sendo referencia hospitalar, atualmente é o maior serviço de
saúde na Zona Leste e um dos quatro hospitais de grande porte da cidade de
São Paulo. 87% de seu atendimento é dedicado ao SUS e os outros 13% ao
atendimento particular, sendo que sua estrutura conta com mais de 700 leitos,
111 deles voltados para Unidade de Terapia Intensiva (UTI), além de destacarse como importante centro de ensino, mantendo 42 programas de residência
médica, multiprofissional e especialização.
Na parte do lazer, Itaquera pode trazer muita diversão com o Sesc
Itaquera, o parque de diversões Marisa e o Parque do Carmo que tem como uma
das suas principais atrações a tradicional festa das cerejeiras, que acontece
anualmente desde 1978. Dentro do próprio parque, tem o Planetário Municipal
do Carmo, um dos planetários mais modernos da América Latina, sendo capaz
de projetar mais de 9100 estrelas, os planetas do sistema solar, a Via Láctea e
as galáxias.
Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba Leandro de Itaquera,
também conhecida como Leandro de Itaquera é uma escola de samba que está
atualmente no Grupo de Acesso 1, foi fundado em 03 de março de 1982 e o
nome da escola é em homenagem ao seu fundador e atual presidente, Leandro
Alves Martins que atendendo ao pedido de aniversário de sua filha Karen, fundou
a escola. Seu símbolo é um leão, representando força e liderança e suas cores
oficiais são vermelho e branco que significam garra e paz. No carnaval de 2022
será a penúltima escola a desfilar no domingo, 27 de fevereiro e terá como tema
a história do candomblé Jeje, que se originou na África e é conhecido pelo culto
aos vudus.
A antiga estação ferroviária que foi muito importante na história do bairro
foi fechada em 27 de Maio de 2000 e demolida em 4 de Julho de 2004, dando
lugar a extensão da Radial Leste, a estação também foi cenário para o maior
acidente ferroviário do país que ocorreu em 17 de fevereiro de 1987, o choque
entre dois trens deixou 51 mortos e 153 feridos. Em 1 de Outubro de 1988 foi
inaugurada a estação de metrô Corinthians-Itaquera que faz parte da linha 3-
vermelha e a nova estação da CPTM que faz parte da linha 11-Coral foi
construída pelo metrô de São Paulo permanecendo 12 anos inutilizada e sendo
inaugurada só em 27 de maio de 2000, substituindo a antiga.
começou a ser construída a Arena Corinthians, hoje conhecida como Neo Química Arena, inaugurado em 18 de maio de 2014, sendo o 13º maior estádio do Brasil, além de sediar a cerimônia de abertura da Copa do Mundo de 2014. A construção do estádio trouxe várias melhorias para a região, o tráfego com a construção de novos túneis e acesso a Radial Leste, as melhorias no terminal de ônibus e a construção de uma FATEC e uma ETEC que elevaram a região valorizando o comércio, as oportunidades de trabalho e o mercado imobiliário que cresceram em torno da região.
Seguindo os principais conceitos da Semiótica, conforme visto em aulas,
este trabalho tem como objetivo dar voz aos moradores de Itaquera. Por isso,
entrevistamos alguns moradores que viveram praticamente a vida inteira no
bairro Itaquera. No decorrer da leitura, será possível perceber mudanças devido
às diferentes gerações.
Entrevista com o Senhor Manoel:
O senhor Manoel é um deles, tem 85 anos de idade e começou a morar
em Itaquera em 1972, ele veio de Alagoas com a esposa em busca de condições
melhores. Itaquera naquela época era conhecido por ser um bairro
extremamente pobre, e, segundo o próprio senhor Manoel, ninguém queria saber
do lugar. Ele observa as mudanças do bairro, através de suas andanças
rotineiras, pois atualmente as ruas estão asfaltadas, tem ônibus, bancos, fóruns
e academias.
Entrevista com a Aparecida:
Já Aparecida nasceu em Itaquera e disse que só mudava de rua, mas
nunca saiu do bairro. Atualmente ela tem 54 anos. Quando lhe foi perguntado o
que mais lhe marcou, ela disse que a criação da linha de trem, pois ele passava
ao lado de sua casa e ela teve que se adaptar ao barulho. Segundo Aparecida,
hoje Itaquera é uma “cidade”, antes era cheia de mato, com poucas pessoas e
para ela foi possível ver a transformação do bairro a partir dos vizinhos e os
avanços de cada um deles.
A colisão entre dois trens que aconteceu em Itaquera no dia 17 de
fevereiro de 1987 às 15:27, deixando 51 mortos, foi um dos piores acidentes de
trem em SP e a moradora disse que isso a marcou profundamente, ela estava
em sua casa quando aconteceu e conseguiu ouvir bem o barulho, lembra dos
moradores do bairro saindo correndo para ver o acidente. Atualmente, ela não
mora mais ao lado desta estação. Passados anos do ocorrido, ela relata que não
consegue esquecer, tudo ainda é muito recorrente em sua mente e por isso evita
entrar em trens, preferindo usar ônibus.
Entrevista com o Senhor Ricardo:
Outro morador que entrevistamos foi Ricardo, de 44 anos de idade. Em
seu relato, conseguimos perceber a evolução da cidade pelos olhos da
desapropriação. Ele mora em Itaquera desde os seus 5 anos de idade, sua
antiga casa é onde fica atualmente o Shopping da cidade. Nos anos 90 sua
família e muitas outras foram retiradas pelo metrô (em algum momento houve a
troca do espaço do metrô para CPTM, mas o morador não sabe explicar o
porquê), portanto ao lembrar-se do momento, conta que a família ficou chocada
com a notícia, pois um advogado informou que a casa teria que ser desocupada.
Quando o dono da casa disse que ela o pertencia, o advogado do metrô
respondeu que a partir daquele momento a casa não era mais dele e sim do
governo. Ricardo conta que isso o marcou e o advogado continuou dizendo que
a mudança iria trazer desenvolvimento para a cidade, que os moradores iriam
sofrer, mas iria ajudar milhões de pessoas, porque o metrô teria que passar por
ali. A rua inteira foi desapropriada e muitas famílias perderam suas casas.
O entrevistado disse que a sua família não relutou em sair do local, mas
teve famílias que foram retiradas apenas com a polícia, o advogado apareceu na
porta deles em 1986, mas só houve a desapropriação oficialmente em 1991,
acreditava-se que era uma estratégia, pois as casas valiam em torno 300 mil,
mas em 1991 pagaram apenas 200. O entrevistado disse que comprou uma casa
inferior da que tinha na vila Carmosina, porque o dinheiro que o metrô pagou era
80% menor do que valia a sua casa. Segundo Ricardo, o bairro teve sorte em ter
um desenvolvimento, devido ao ponto estratégico, pois o bairro fica onde passa
o metrô e o estádio do Corinthians, por isso o seu desenvolvimento veio mais
rápido do que nas outras cidades. Itaquera, ficou conhecida pelo Brasil em 2010
pelo estádio construído para os jogos da Copa do Mundo e quando começou
este evento, ficou conhecida mundialmente. Por fim, Ricardo relata que os
acessos no bairro antigamente eram ruins, pois a estrada era de terra, mas
atualmente tem a avenida Jacu-Pêssego com oito faixas de trânsito, o que facilita
o acesso tanto de saída quanto de entrada para a cidade.
Com este trabalho concluímos como é importante conhecer a fundo a história e o desenvolvimento do bairro de Itaquera partindo dos relatos dos moradores locais, pois quando observado o desenvolvimento de Itaquera através das mídias foca-se bastante apenas na evolução, mas não em como muitos dos moradores acabaram prejudicados, como perderam suas casas ou como têm memórias que os marcaram profundamente, Assim, através de uma comunicação mediana, focamos em especial nas pessoas comuns: vozes que reproduziram experiências particulares e não nos restringimos a voz da mídia, que segundo Fairclough (2006) transita por todas as outras vozes, tendo como força maior no processo de construção dos significados. Como as mídias têm formatos e convenções, o caráter da comunicação é afetado de forma particular, pelos pontos de vista com teores ideológicos.
Áudios com os Entrevistados estão abaixo:
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