ATIVIDADES PRÁTICAS SUPERVISIONADAS –
TRADUÇÃO DE
TEXTO TÉCNICO E ANÁLISE DOS PROCEDIMENTOS DE
TRADUÇÃO
INTRODUÇÃO
Nesta Atividade Prática Supervisionada apresentaremos um trabalho com
referência às matérias estudadas este semestre sobre tradução do texto técnico e
os seus procedimentos.
O texto técnico traz, como sua principal característica, o uso de linguagem
específica e terminologias de determinada área, e é geralmente escrito por
profissionais especializados e, muitas vezes, tem como público-alvo pessoas que
já possuem conhecimento na área abordada.
É um texto objetivo com caráter instrucional, como manuais de instruções,
prescrições médicas, artigos acadêmicos, notícias de jornal, cartas comerciais, emails, fôlderes de turismo, cardápios, horóscopos, entre tantos outros.
Este tipo de texto está presente, portanto, em diversas áreas do
conhecimento, como a Engenharia, a Medicina, a Química, a Física, a Biologia, a
Botânica, o Jornalismo, a Hotelaria, o Turismo, a Gastronomia, para citar algumas.
A tradução do texto técnico exige bastante dedicação e competência do
tradutor para que o texto traduzido consiga transmitir o máximo possível de
informação sem perder carga semântica considerável, uma vez que sabemos que
muito se perde numa tradução, pois o processo não é mera transferência de
material linguístico A para material linguístico B. Até mesmo ao se traduzir um
texto técnico, vamos perceber que aspectos culturais estão presentes e devem
ser considerados para que as informações contidas no texto traduzido contemple,
de modo satisfatório, a naturalidade da língua falada pelo leitor.
Quando estudamos tradução, fatalmente nos deparamos com certas
dicotomias clássicas, que parecem insolúveis, como fidelidade X infidelidade; texto
A X texto B; estrangeirização X domesticação; língua materna X texto traduzido.
Tais dicotomias indicam simplesmente que não há uma única vertente norteadora
que diga se uma coisa é certa ou errada a fim de apresentar uma fórmula mágica
que dê garantias ao tradutor de apenas acertar no seu trabalho.
Na verdade, vamos nos deparar com vários pontos de vista de teóricos que
buscam (ou tentam) completar alguma lacuna não observada num conceito já
estudado.
Assim, quando nos aprofundamos nos estudos teóricos da tradução,
veremos dezenas de classificações para certas coisas que não precisam ser
tomadas como absolutas e imutáveis. É exatamente o contrário: há coisas que vão
mudando ao longo dos séculos. Apenas vamos à busca do melhor, do mais
abrangente, do menos simplista.
Seguindo este raciocínio, vamos perceber exatamente isso quando
abordarmos, por exemplo, a questão de procedimentos da tradução.
Há muitos teóricos que deram suas contribuições ao assunto, como
Catford (1965), Vásquez-Ayora (1977), Vinay e Darbelnet (1977), Newmark
(1981, 1988) e, mais recentemente, Heloísa Barbosa (1990).
Apesar de Heloísa Barbosa realizar o seu trabalho, partindo das
formulações dos autores que a antecederam, ela aprofundou sua classificação,
descrevendo treze procedimentos de tradução.
Comparando-se Heloísa Barbosa com os franceses Vinay e Darbelnet, é
possível observer uma lacuna de seis procedimentos entre seus conceitos.
Enquanto Vinay e Darbelnet apresentam sete categorias, dividindo os dois
grandes eixos ―Tradução Direta e Tradução Oblíqua‖ em: 1. tradução literal; 2.
empréstimo; 3. decalque (tradução direta); e 4. transposição; 5. modulação; 6.
equivalência e 7. adaptação (tradução oblíqua), Barbosa amplia as técnicas,
observando treze possíveis ações feitas pelo tradutor em seu ofício: 1. tradução
palavra-por-palavra; 2. tradução literal; 3. transposição; 4. modulação; 5.
equivalência; 6. omissão vs. explicitação; 7. compensação; 8. reconstrução de
períodos; 9. melhorias; 10. transferência (englobando estrangeirismo,
transliteração, aclimatação) e transferência com explicação; 11. explicação; 12.
decalque; e 13. adaptação.
Baseando-nos na nossa prática, já conseguimos perceber que as ações
classificadas por Barbosa realmente refletem mais a nossa realidade, quando
comparadas às dos pioneiros Vinay e Darbelnet, que propuseram a classificação
de sete procedimentos apenas, com o intuito primordialmente didático na
formação dos tradutores.
Mesmo diante dessa lacuna entre os autores mencionados, pensando que
sete procedimentos não contemplam satisfatoriamente a prática do tradutor,
vamos propor uma análise de uma tradução de um texto técnico da área de
história, intitulado The History of Babylonia, tomando como referência a teoria de
Vinay e Darbelnet, para atender, de forma breve, a proposta das Atividades
Práticas Supervisionadas do nosso semestre.
Como o texto técnico teoricamente pode apresentar menos problemas em
relação a estruturas frásticas, justamente por se tratar de material informativo,
cujos elementos linguísticos tendem a ser apresentados (expressos) de modo
objetivo sem maiores complexidades de construção dos períodos ou
subjetividades na elaboração do raciocínio, talvez possamos perceber (encontrar)
uma grande quantidade dos procedimentos descritos por esses autores, como a
tradução literal, se levarmos em conta essa possibilidade de um pararelismo
linguístico mais frequente.
Tal antecipação também poderia ser feita em relação a outros
procedimentos descritos, como o empréstimo de termos da língua inglesa para a
língua portuguesa, presentes abundantemente em textos da área da informática
ou medicina; ou do latim, em textos da área jurídica.
Percebemos que, mesmo seguindo a classificação de Vinay e Darbelnet,
que é a mais simples e também, muitas vezes, contestada em certos aspectos por
outros autores, como Francis Aubert, parece que já é senso comum entre alguns
teóricos dizer que os procedimentos dos quais o tradutor lança mão com mais
frequência sejam a transposição e a modulação.
Para ressaltar nossas escolhas pelos autores e pelo tema do texto a ser
traduzido, justificamo-nos da seguinte maneira:
A escolha dos autores se deve pela simplicidade da classificação dos
procedimentos, conforme já mencionado, o que evitará a realização de um
trabalho muito extenso; e o tema sobre a história da Babilônia, suas fases
históricas, civilização, arquiteturas, esculturas, o império Babilônico na antiguidade
e seus reflexos nos tempos atuais se deve ao interesse que os integrantes do
grupo têm por História geral, por proporcionar uma viagem ao tempo e agregar
mais conhecimento sobre épocas passadas. Isso facilita a exploração do tema,
pois, quando se tem interesse ou afinidade sobre certos temas, as pesquisas e
análises se tornam mais prazerosas.
Vale também ressaltar que, embora possamos encontrar muitos exemplos
de certos procedimentos propostos pelos autores, vamos delimitar um número de
cinco casos para cada um deles a fim de não nos estendermos demais nas
nossas análises. O objetivo não é fazer um tratado, mas uma análise aprofundada
dos exemplos que acharmos mais pertinentes.
O trabalho está estruturado da seguinte forma após a Introdução:
Metodologia, na qual discorreremos com detalhes todos os passos e materiais
utilizados para chegarmos ao produto final (texto traduzido); Desenvolvimento, que
apresentará o texto original The History of Babylonia e sua respectiva tradução ―A
História de Babilônia‖; Resultados, seção na qual, por meio de quadros,
apresentaremos nossos cinco exemplos selecionados para cada um dos sete
procedimentos, e que estarão também devidamente analisados/explicados. No
entanto, vale ressaltar, de antemão, que haverá casos em que não será possível
contemplar os cinco exemplos, ou até mesmo nenhum. Mesmo assim, haverá o
quadro (ainda que vazio) com os devidos comentários. Após os Resultados,
haverá a seção final com nossas Considerações sobre a pesquisa, expressando
nosso ponto de vista e uma breve avaliação sobre o assunto tratado.
METODOLOGIA
Com o grupo montado, na sala de aula, uma das integrantes, que tem um
interesse especial por história, indicou o tema. Achamos interessante a ideia e
informamos a professora sobre a escolha do texto técnico de história. Depois de
escolhido o tema, uma integrante informou a representante de sala e, em seguida,
o grupo já estava com o documento em PDF para ser traduzido e analisado. O
texto também havia sido disponibilizado no Teams da sala (pela professora
responsável pela disciplina) e no grupo de WhatsApp, montado especialmente
para a execução do trabalho.
Ao abrirmos o PDF, percebemos que o texto era dividido em tópicos além
do principal.
Utilizando-se do grupo de WhatsApp, descrevemos os temas e pedimos
para cada integrante escolher aquele pelo qual tinha mais interesse para a
tradução. A divisão foi equilibrada de modo que cada integrante ficou com dois
tópicos do texto.
Depois de escolhidos os tópicos, conversamos sobre as ferramentas que
seriam utilizadas para fazermos a tradução. Decidimos pela Matecat como
ferramenta principal de tradução, e os dicionários online Word Reference e
Linguee como ferramentas de apoio.
A etapa subsequente foi a conversão do PDF em inglês para Word no site
ILovePDF. Depois do texto convertido, separamos o texto em inglês com as partes
que cada integrante tinha escolhido para traduzir e enviamos pelo grupo de
WhatsApp o arquivo com os nomes dos integrantes nas partes designadas.
Durante a etapa de tradução, tivemos que tomar cuidado com alguns
pontos ao usar a ferramenta MateCat, pois temíamos que a tradução de nomes
históricos não ficasse condizente com o que usualmente são usados, por exemplo,
o nome Nebuchadnezzar II, traduzido para Nabucodonosor II. Por este motivo,
tivemos a preocupação de pesquisar se essa forma era a utilizada na área.
Para solucionar esse tipo de dúvida, procuramos no Google e encontramos
no site ―ebiografia‖ o nome Nabucodonosor II. A partir dessa informação, foi enviado pelo grupo de WhatsApp que o nome Nabucodonosor II deveria estar em
todos os tópicos traduzidos quando Nebuchadnezzar II fosse mencionado.
Aos poucos, as integrantes foram enviando os trechos dos tópicos
traduzidos. Próximo do dia 25 de março, juntamos novamente as traduções e
colocamos em ordem de acordo com o texto original. Apenas duas integrantes
ficaram responsáveis por revisar o texto traduzido, ajustar questões de pontuação,
retirar palavras repetidas ou desnecessárias e melhorar a fluidez da tradução.
Finalizada essa etapa da revisão, o próximo passo foi encaminhar o arquivo para
a revisão da professora.
Depois de alguns dias, recebemos a revisão com os comentários sobre as
mudanças que deveriam ser feitas. Lemos tudo o que havia sido ressaltado e
dividimos mais uma vez os tópicos para a análise da APS.
Baixamos o modelo da estrutura da APS que havia no Teams e enviamos
para o grupo de WhatsApp. Na sala de aula, debatemos como seria feita a divisão
da análise e percebemos que cada integrante mostrava certa facilidade por
determinados procedimentos do que por outros. Sendo assim, cada uma ficou
responsável por analisar o procedimento com o qual tinha maior afinidade.
Através do grupo de WhatsApp, conversamos sobre a estrutura do trabalho
e copiamos os quadros já disponibilizados para fazer as análises. Copiamos os
trechos relacionados a cada procedimento e colocamos nos quadros
correspondentes, ressaltando onde o procedimento de tradução ocorria.
Desse modo, cada integrante encaminhou as partes que foram analisadas
e, finalmente, tudo foi agrupado e revisado mais uma vez, atentando-se às
análises feitas.
Após a revisão ter sido aprovada por todas as integrantes do grupo,
encaminhamos o trabalho completo para correção da professora.
DESENVOLVIMENTO
Texto Original: The History of Babylonia
Babylonia was a state in ancient Mesopotamia. The city of Babylon, whose
ruins are located in present-day Iraq, was founded more than 4,000 years ago as a
small port town on the Euphrates River. It grew into one of the largest cities of the
ancient world under the rule of Hammurabi. Several centuries later, a new line of
kings established a Neo-Babylonian Empire that spanned from the Persian Gulf to
the Mediterranean Sea. During this period, Babylon became a city of beautiful and
lavish buildings. Biblical and archaeological evidence point toward the forced exile
of thousands of Jews to Babylon around this time.
Where Is Babylon?
The town of Babylon was located along the Euphrates River in present-day
Iraq, about 50 miles south of Baghdad. It was founded around 2300 B.C. by the
ancient Akkadian-speaking people of southern Mesopotamia. Babylon became a
major military power under Amorite king Hammurabi, who ruled from 1792 to 1750
B.C. After Hammurabi conquered neighboring city-states, he brought much of
southern and central Mesopotamia under unified Babylonian rule, creating an
empire called Babylonia. Hammurabi turned Babylon into a rich, powerful and
influential city. He created one of the world’s earliest and most complete written
legal codes. Known as the Code of Hammurabi, it helped Babylon surpass other
cities in the region. Babylonia, however, was short-lived. The empire fell apart after
Hammurabi’s death and reverted back to a small kingdom for several centuries.
Neo-Babylonian Empire
A new line of kings established the Neo-Babylonian Empire, which lasted
from 626 B.C. to 539 B.C. The Neo-Babylonian Empire became the most powerful state in the world after defeating the Assyrians at Nineveh in 612 B.C. The NeoBabylonian Empire was a period of cultural renaissance in the Near East. The
Babylonians built many beautiful and lavish buildings and preserved statues and
artworks from the earlier Babylonian Empire during the reign of king
Nebuchadnezzar II.
Fall of Babylon
The Neo-Babylonian Empire, like the earlier Babylonia, was shortlived. In
539 B.C., less than a century after its founding, the legendary Persian king Cyrus
the Great conquered Babylon. The fall of Babylon was complete when the empire
came under Persian control.
Babylon In Jewish History After
The Babylonian conquest of the Kingdom of Judah in the sixth century B.C.,
Nebuchadnezzar II took thousands of Jews from the city of Jerusalem and held
them captive in Babylon for more than half a century. Many Judeans returned to
Jerusalem after the Neo-Babylonian Empire fell to Cyrus the Great’s Persian
forces. Some stayed, and a Jewish community flourished there for more than 2,000
years. Many relocated to the newly created Jewish state of Israel in the 1950s.
Tower of Babel
The city of Babylon appears in both Hebrew and Christian scriptures.
Christian scriptures portray Babylon as a wicked city. Hebrew scriptures tell the
story of the Babylonian exile, portraying Nebuchadnezzar as a captor. Famous
accounts of Babylon in the Bible include the story of the Tower of Babel. According
to the Old Testament story, humans tried to build a tower to reach the heavens.
When God saw this, he destroyed the tower and scattered mankind across the
Earth, making them speak many languages so they could no longer understand each other. Some scholars believe the legendary Tower of Babel may have been
inspired by a real-life ziggurat temple built to honor Marduk, the patron god of
Babylon.
Walls of Babylon
Art and architecture flourished throughout the Babylonian Empire, especially
in the capital city of Babylon, which is also famous for its impenetrable walls.
Hammurabi first encircled the city with walls. Nebuchadnezzar II further fortified the
city with three rings of walls that were 40 feet tall. The Greek historian Herodotus
wrote that the walls of Babylon were so thick that chariot races were held on top of
them. The city inside the walls occupied an area of 200 square miles, roughly the
size of Chicago today. Nebuchadnezzar II built three major palaces, each lavishly
decorated with blue and yellow glazed tiles. He also built a number of shrines, the
largest of which, called Esagil, was dedicated to Marduk. The shrine stood 280 feet
tall, nearly the size of a 26-story office building.
Hanging Gardens of Babylon
The Hanging Gardens of Babylon, a colossal maze of terraced trees,
shrubs, flowers and manmade waterfalls, are one of the Seven Wonders of the
Ancient World. Yet archaeologists have turned up scant evidence of the gardens.
It’s unclear where they were located or whether they ever existed at all. Some
researchers have uncovered evidence that suggests the hanging gardens existed,
but not in Babylon— they may have actually been located in the city of Nineveh in
upper Mesopotamia.
Ishtar Gate
The main entrance to the inner city of Babylon was called the Ishtar Gate.
The portal was decorated with bright blue glazed bricks adorned with pictures of bulls, dragons and lions. The Ishtar Gate gave way to the city’s great Processional
Way, a half-mile decorated corridor used in religious ritual to celebrate the New
Year. In ancient Babylon, the new year started with the spring equinox and marked
the beginning of the agricultural season. German archaeologists excavated the
remains of the gate in the early twentieth century and reconstructed it in Berlin’s
Pergamon Museum using original bricks.
Babylon Today
Under Saddam Hussein, the Iraqi government excavated Babylonian ruins
and attempted to reconstruct certain features of the ancient city, including one of
Nebuchadnezzar’s palaces. After the 2003 invasion of Iraq, United States forces
built a military base on the ruins of Babylon. The United Nations cultural heritage
agency UNESCO reported the base caused ―major damage‖ to the archaeological
site. The site was reopened to tourists in 2009.
Sources
Babylon; Metropolitan Museum of Art.
Final Report on Damage Assessment in Babylon; UNESCO.
Ancient tablets reveal life of Jews in Nebuchadnezzar’s Babylon; Reuters.
U.S. troops accused of damaging Babylon's ancient wonder; CNN.
Fonte: https://www.history.com/topics/ancient-middle-east/babylonia.
Texto Traduzido: A História da Babilônia
A Babilônia era uma região na antiga Mesopotâmia. A cidade da
Babilônia, cujas ruínas estão localizadas onde é o Iraque atualmente, foi
fundada há mais de 4.000 anos como uma pequena sede portuária no Rio
Eufrates. Cresceu como um dos maiores locais do mundo antigo sob o
código de Hamurabi. Vários séculos depois, uma nova linhagem de reis
estabeleceu um Império Neobabilônico que se expandiu do Golfo Pérsico
ao Mar Mediterrâneo. Durante este período, a Babilônia tornou-se uma cidade de belas e luxuosas construções. Evidências bíblicas e
arqueológicas apontam para um exílio forçado de milhares de judeus na
Babilônia por volta deste período.
Onde está a Babilônia?
A cidade da Babilônia estava localizada ao longo do rio Eufrates, no atual
Iraque, cerca de 80 km ao sul de Bagdá. Foi fundada por volta de 2300 a.C. pelo
antigo povo de língua acádia do sul da Mesopotâmia. A Babilônia tornou-se
uma grande potência militar sob o rei amorita1 Hamurabi, que governou de 1792
a 1750 a.C. Depois que Hamurabi conquistou cidades-estados vizinhas, ele
trouxe grande parte do sul e centro da Mesopotâmia sob um governo unificado,
criando um império chamado Babilônia. Hamurabi transformou a Babilônia em
uma cidade rica, poderosa e influente. Ele criou um dos códigos legais mais
antigos e completos do mundo, conhecido como Código de Hamurabi,
contribuindo para que a Babilônia superasse outras cidades da região. A
Babilônia, no entanto, durou pouco. O império desmoronou-se após a
morte de Hamurabi e voltou a ser a um pequeno reino durante vários
séculos.
Império Neobabilônico
Uma nova linha de reis estabeleceu o Império Neobabilônico , que durou de
626 a.C. a 539 a.C. O Império Neobabilônico tornou-se o estado mais poderoso do
mundo depois de derrotar os assírios em Nínive em 612 a.C. O Império
Neobabilônico foi um período de renascimento cultural no Oriente Próximo. Os
babilônicos construíram muitos edifícios belos e deslumbrantes, preservaram estátuas e obras de arte do primeiro Império Babilônico durante o reinado de
Nabucodonosor II.
Queda da Babilônia
O Império Neobabilônico, tal como a Babilônia anterior, teve vida curta. Em
539 a.C., menos de um século após sua fundação, o lendário rei persa, Ciro, o
Grande, conquistou a Babilônia. A queda da Babilônia estava completa quando o
império ficou sob o controle persa.
Babilônia na história judaica
Após conquistar o Reino de Judá no século VI a.C., Nabucodonosor II levou
milhares de judeus da cidade de Jerusalém e os manteve prisioneiros na Babilônia
por mais de meio século. Muitos judeus retornaram a Jerusalém depois que o
Império Neobabilônico caiu para as forças persas de Ciro, o Grande. Alguns
judeus ficaram, e uma comunidade judaica floresceu lá por mais de 2.000 anos.
Muitos se mudaram para o recém-criado estado judeu de Israel na década de
1950.
A Torre de Babel
A cidade da Babilônia aparece nas escrituras hebraicas e cristãs. A escritura
cristã a retrata como uma cidade imoral, enquanto a hebraica conta a história do
exílio babilônico, mostrando Nabucodonosor como um sequestrador. Relatos
famosos da Babilônia na Bíblia incluem a história da Torre de Babel. De acordo
com a história do Antigo Testamento, os humanos tentaram construir uma torre
para alcançar os céus. Quando Deus viu, destruiu a torre e espalhou a
humanidade pela Terra, fazendo com que falassem muitas línguas para que não pudessem mais se entender. Alguns estudiosos acreditam que a lendária Torre de
Babel pode ter sido inspirada por um templo Zigurate da vida real, construído para
homenagear Marduque (ou Merodaque), o Deus patrono da Babilônia.
As muralhas da Babilônia
Arte e arquitetura floresceram em todo Império Babilônico, especialmente
na capital da Babilônia, que também é famosa por suas muralhas impenetráveis.
Hamurabi primeiro cercou a cidade com muros. Posteriormente, Nabucodonosor II
fortificou a cidade, circundando-a com três fileiras de muralhas com cerca de 12
metros de altura. O historiador grego Heródoto escreveu que os muros da
Babilônia eram tão espessos que as corridas de carruagem eram realizadas em
cima deles. A cidade dentro das muralhas ocupava uma área de 517 quilômetros
quadrados, aproximadamente o tamanho da cidade de Chicago hoje.
Nabucodonosor II construiu três grandes palácios, cada um luxuosamente
decorado com azulejos azuis e amarelos. Ele também construiu uma série de
santuários, o maior deles chamado Esagila, que foi dedicado a Marduque. O
santuário tinha 85 metros de altura, aproximadamente o tamanho de um prédio de
26 andares.
Jardins Suspensos da Babilônia
Os Jardins Suspensos da Babilônia são labirintos colossais de terraços
com árvores, arbustos, flores e cachoeiras artificiais, considerados uma das Sete
Maravilhas do Mundo Antigo. No entanto, os arqueólogos encontraram poucas
evidências dos jardins. Não está claro onde eles estavam localizados ou se eles
existiram. Alguns estudiosos descobriram evidências que apontam que os jardins
suspensos existiam, mas não na Babilônia; podem ter sido localizados na cidade
de Nínive, na Alta Mesopotâmia.
Portão de Ishtar
A entrada principal para o interior da cidade da Babilônia foi chamada de
Portão de Ishtar. O portão foi decorado com tijolos vitrificados azuis brilhantes e
adornados com imagens de touros, dragões e leões. O Portão de Ishtar deu lugar
ao grande Caminho de Procissões da cidade, um corredor decorado de 800
metros usado em rituais religiosos para celebrar o Ano Novo. Na antiga Babilônia,
o ano novo começava com o equinócio4
da Primavera e marcava o início da
temporada agrícola. Arqueólogos alemães escavaram os restos do Portão no
início do século XX e o reconstruíram no Museu Pergamon de Berlim, usando os
tijolos originais.
A Babilônia Atualmente
Sob o comando de Saddam Hussein, o governo iraquiano escavou ruínas
babilônicas e tentou reconstruir certas características da cidade antiga, incluindo
um dos palácios de Nabucodonosor. Após a invasão do Iraque em 2003, as forças
armadas dos Estados Unidos construíram uma base militar sobre as ruínas da
Babilônia. A agência de patrimônio cultural das Nações Unidas (UNESCO)
informou que a base causou "danos graves" ao sítio arqueológico. O sítio foi
reaberto para turistas em 2009.
Fontes
Babilônia; Museu Metropolitano de Arte.
Relatório Final sobre a Avaliação de Danos na Babilônia; UNESCO.
Tábuas antigas revelam a vida dos judeus na Babilônia de Nabucodonosor; agência Reuters.
Tropas norte-americanas são acusadas de danificar a antiga maravilha da Babilônia; CNN.
RESULTADOS
Para a análise do texto The History of Babylonia, utilizamos como base os
procedimentos de tradução dos autores franceses Vinay e Darbelnet (1958). Eles
descrevem sete métodos de tradução, que são divididos em duas categorias: a
tradução direta e a tradução oblíqua. Na tradução direta temos: tradução literal,
empréstimo e decalque, e na tradução oblíqua: transposição, modulação,
equivalência e adaptação. Em uma análise mais aprofundada sobre estes
métodos de tradução, selecionamos cinco exemplos (quando possível) dos
procedimentos para compor o nosso trabalho.
Mesmo não sendo o foco da pesquisa, apresentamos também paralelos de
uma visão diferente dos procedimentos de tradução da autora Heloísa Barbosa
(1990), apontados nos métodos de decalque e adaptação, apenas para
enriquecimento das informações.
Tradução Direta
Em 1958 foi publicada a obra “Stylistique Comparée du Français et de
L’Anglais”, de Vinay e Darbelnet, que propuseram procedimentos técnicos de
tradução que tinham o objetivo inicial de servir como referência didática para o
treinamento de tradutores. A tradução direta seria aquela que busca maior
semelhança entre a língua-fonte e a língua-alvo, de preferência em relação
expressa na tradução por paralelismos.
Dentro da tradução direta há três métodos: tradução literal; empréstimo e
decalque.
Tradução Literal
A tradução literal, conhecida também como word-for-word translation; ou
seja, quando comparamos determinado segmento do texto fonte com o texto alvo, encontramos o mesmo número de palavras, na mesma ordem sintática,
empregando as mesmas classes de palavras e a escolha de sinônimos lexicais.
Baseando-se nos estudos de Vinay e Darbelnet, a partir da análise do texto
The History of Babylonia foram encontrados diversos casos de tradução literal, no
entanto, no quadro abaixo escolhemos apenas cinco exemplos, conforme
assinalado em nossa introdução.
Quadro 1 – Tradução Literal
Texto Original: The History of
Babylonia - Texto Traduzido: A História da
Babilônia
1 a new line of kings established - uma nova linha de reis estabeleceu
2 Many Judeans returned to
Jerusalem - Muitos judeus retornaram a
Jerusalém
3 Adorned with pictures of bulls,
dragons and lions - Adornados com imagens de touros,
dragões e leões
4 Hammurabi first encircled the city
with walls - Hamurabi primeiro cercou a cidade
com muros
5 The portal was decorated with… - O portão foi decorado com...
Em todos os exemplos, observamos os aspectos da tradução literal, pois
quando traduzimos para o português, as palavras mantiveram a mesma estrutura,
sem necessidade de alteração de sentido ou posição.
1 – a new line of kings established (uma nova linha de reis estabeleceu)
apresentam as mesmas classes gramaticais, respectivamente: numeral, adjetivo,
substantivo, preposição, substantivo e verbo. Portanto, encontramos a mesma
estrutura da frase em inglês e em português.
2 – Many Judeans returned to Jerusalem (Muitos judeus retornaram a
Jerusalém) também seguem a mesma estrutura: adjetivo, substantivo, verbo,
preposição e substantivo, portanto, mais uma vez a literalidade da tradução, pois
nas duas versões há a mesma quantidade de palavras (5) e as mesmas classes
gramaticais.
3 – Adorned with pictures of bulls, dragons and lions (Adornados com
imagens de touros, dragões e leões), mais uma vez destaca-se uma característica
importante na tradução literal que é o paralelismo das classes gramaticais nos
dois textos: adjetivo, preposição, substantivo, preposição, substantivo, substantivo,
conjunção e substantivo.
4 – As mesmas estruturas se repetem. São sete elementos que compõem
as frases, portanto mais uma vez a literalidade ocorre na tradução: Hammurabi
first encircled the city with walls (Hamurabi primeiro cercou a cidade com muros),
cujas classes gramaticais são: substantivo, adjetivo, verbo, artigo, substantivo,
preposição e substantivo. Desse modo é possível observar a fidelidade no
paralelismo entre as duas línguas.
5 – E, para finalizar, mais uma vez observamos a literalidade das frases:
The portal was decorated with (O portão foi decorado com) com a sequência:
artigo, substantivo, verbo auxiliar, verbo principal e preposição.
Empréstimo
O empréstimo é um procedimento de tradução utilizado para suprir uma
lacuna metalinguística de uma língua, utilizando o empréstimo de um item lexical
da língua de partida para a língua-alvo. Muitas dessas palavras não possuem
tradução e acabam sendo utilizadas tão frequentemente que acabam se tornando
usuais, geralmente reproduzidas em itálico, em negrito, entre aspas, ou mesmo
sem marcadores. Exemplos: test drive (teste para o motorista averiguar o
automóvel antes de comprá-lo); pet shop (loja direcionada ao público animal e
seus cuidadores, em que é possível comprar comida e objetos para os animais,
como também oferecer serviços de banho e tosa); Black Friday (dia de liquidação
em lojas de diversos setores).
Em nossa análise da tradução, não identificamos casos de empréstimo da
língua inglesa para a língua portuguesa. Todos os termos, portanto, tiveram uma
tradução sem a necessidade de se manter palavras estrangeiras no texto do
público alvo.
Decalque
O decalque é um procedimento de tradução em que se cria um novo termo
na língua-alvo a partir de um empréstimo estrangeiro. Esse termo é usado com
adaptações ortográficas ou traduzindo literalmente cada um de seus elementos.
Assim como ocorre com os empréstimos, há decalques que são tão assimilados
pela língua que passam a tornar-se parte integrante dela.
Dentro do decalque, há duas subdivisões: decalque semântico e decalque
morfológico. O decalque semântico consiste em dar um significado novo às
palavras já existentes em outra língua, como o verbo ―ignorar‖, em português, cujo
significado dicionarizado é ―não conhecer, não saber‖. Porém, por conta do verbo
inglês to ignore (“refuse to take notice of or acknowledge”; “disregard intentionally”
(recusar-se a tomar conhecimento ou reconhecer; desconsiderar
intencionalmente), passamos a usar ―ignorar‖ no sentido de ―desprezar‖;
―desconsiderar‖.
Já o decalque morfológico é um empréstimo semântico cuja forma
estrangeira é traduzida e substituída na língua receptora por uma forma nova que imita o modelo morfossintático estrangeiro, como a palavra em inglês skyscraper
que foi traduzida para o português como ―arranha-céu‖.
Embora nossas análises estejam sendo baseadas na teoria de Vinay e
Darbelnet, vale aqui uma ampliação da informação segundo Heloísa Barbosa
(2004) a respeito do decalque: ―traduzir literalmente sintagmas ou tipos frasais da
língua de origem no texto de língua de tradução‖.
Em nossa análise, não identificamos casos de decalques e isso talvez se
deva a dois fatores: 1 – dificuldade de identificação dentro de um texto, pois
muitas línguas fazem uso dos mesmos decalques, sendo necessária uma
pesquisa sobre a etimologia de cada palavra para saber exatamente sua origem;
2 – estão tão incorporados a uma língua que seus falantes dificilmente se dão
conta que são provenientes de outras línguas.
Tradução Oblíqua
A tradução oblíqua é quando há diferenças estruturais ou metalinguísticas
entre as duas línguas e não é possível fazer a transposição sem mexer em sua
estrutura sintática ou mesmo no léxico. Esse método é utilizado quando a
tradução não é literal.
Quanto à tradução oblíqua, podemos falar em quatro métodos:
transposição; modulação; equivalência e adaptação.
Transposição
A transposição é um tipo de tradução que pode ser obrigatória ou
facultativa. Consiste em rearranjar uma frase, podendo mudar a classe gramatical,
mas mantendo o sentido do texto inalterado. Dentro da transposição também é
possível transformar duas palavras em uma (redução); expandir uma palavra em
mais de uma unidade lexical (ampliação), ou seja, é comum qualquer alteração na
ordem das palavras.
Quadro 4 – Transposição
Texto Original: The History of
Babylonia - Texto Traduzido: A História da
Babilônia
1 The Neo-Babylonian Empire
was a period of cultural
renaissance in the Near East. - O Império Neobabilônico foi um
período de renascimento cultural no
Oriente Próximo.
2 The Babylonians built many
beautiful and lavish buildings - Os babilônicos construíram muitos
edifícios belos e deslumbrantes,
3 According to the Old
Testament story - De acordo com a história do Antigo
Testamento
4 the patron god of Babylon. - o Deus patrono da Babilônia.
5 The Iraqi government - o governo iraquiano
No primeiro exemplo, a transposição se encontra em três trechos: NeoBabylonian (―Neobabilônico‖), duas palavras, em inglês, reduzidas para apenas
uma, sendo uma transposição obrigatória. As duas outras ocorrências
estão na inversão de cultural renaissance (―renascimento cultural‖) e Near
East (―Oriente Próximo‖).
No segundo exemplo, a transposição se dá pela mudança da ordem dos
adjetivos e substantivo beautiful and lavish buildings (―edifícios belos e
deslumbrantes‖). Embora beautiful possa ser traduzido para ―lindo‖ ou ―bonito‖,
optamos por traduzi-lo para ―belo‖, assim como lavish possa ser traduzido para
luxuoso‖, escolhemos o adjetivo ―deslumbrante‖. Esse exemplo também é de uma
transposição obrigatória, uma vez que a posição dos adjetivos, em português, é
após o substantivo, na maioria das vezes.
No terceiro exemplo, a transposição está na conjunção according to
(duas palavras) e sua tradução correspondente (―de acordo com‖), havendo
uma expansão para três, mas mantendo a mesma classe gramatical.
No quarto e quinto exemplos: the patron god e the Iraqi government, a
transposição está na alteração das ordens das palavras, por se tratar
também de caso de adjetivo + substantivo (em inglês), para substantivo +
adjetivo (em português), respectivamente: ―o Deus patrono‖ e ―o governo
iraquiano‖, sendo uma transposição obrigatória.
Modulação
A modulação é um procedimento da tradução oblíqua que consiste em uma
mudança notável da semântica do texto, podendo variar os significados, mas
conservando o mesmo sentido. Esta categoria abrange duas ramificações que
são: a modulação obrigatória e modulação facultativa. Exemplo: he acted at once
(―Ele não hesitou‖), refere-se à modulação facultativa, porque poderia ter sido feita
uma tradução literal, mas houve uma escolha em mudar a estrutura semântica da
frase. No exemplo: there was nothing (―não havia nada‖), trata-se de modulação
obrigatória, visto que a tradução literal desta frase não faz sentido na língua
portuguesa, portanto, faz-se necessária a modulação para agregar a mesma
essência na língua-alvo.
A mudança semântica que ambos os textos sofrem é evidente, mas o
sentido foi preservado, apesar do significado ter sido modificado. A modulação
reflete a diversidade linguística, trata-se da autonomia e perspectiva do tradutor
diante dos segmentos da língua-fonte.
Quadro 5 – Modulação
Texto Original: The History of
Babylonia - Texto Traduzido: A História da
Babilônia
1 Babylonia, however, was shortlived. - A Babilônia, no entanto, durou pouco.
2 The Hanging Gardens of Babylon,
a colossal maze of terraced trees,
shrubs, flowers and manmade
waterfalls - Os Jardins Suspensos da Babilônia
são labirintos colossais de terraços
com árvores, arbustos, flores e
cachoeiras artificiais
3 It’s unclear where they were
located or whether they ever
existed at all - Não está claro onde eles estavam
localizados ou se eles existiram
No exemplo 1, was short-lived, destacado do texto, ocorre a modulação
obrigatória porque a tradução literal ―curta‖ e ―viveu‖ não proporciona sentido
semântico na frase, mas, por meio da modulação é possível chegar ao termo mais
adequado na língua portuguesa: ―durou pouco‖.
O segundo exemplo mostra em destaque o adjetivo manmade, cujo
significado é ―feito pelo homem‖, porém foi traduzido para a língua portuguesa
como ―artificiais‖, concordando com o substantivo ―cachoeiras‖. Nesse caso, a
modulação é facultativa, pois haveria a possibilidade de tradução ―mais literal‖
(―feitas pelo homem‖).
O terceiro e último exemplo It’s unclear, cujo significado é ―pouco claro‖,
―incerto‖, foi traduzido sob outro ponto de vista, utilizando uma frase negativa ―não
está claro‖, o que caracteriza uma modulação facultativa, já que diz respeito a uma
escolha estilística do tradutor, pois uma tradução literal era perfeitamente possível
(―é incerto‖).
Equivalência
A equivalência é um procedimento da tradução oblíqua cujo método é mais
radical que a modulação, uma vez que busca, na língua-alvo um termo, ou
expressão correspondente ao da língua-fonte. Um exemplo é a expressão out of
the blue (―inesperado‖), equivalente à da língua portuguesa (―do nada‖).
A equivalência tem o objetivo de transmitir a mesma ideia utilizando outras
unidades de sentido.
Em nossa análise do trabalho, não identificamos casos de equivalência.
Como é um procedimento que está relacionado a expressões idiomáticas, ditos
populares, clichês, ou seja, a aspectos mais culturais da língua, tal recurso não foi
necessário para a nossa tradução, uma vez que percebemos uma objetividade na
transmissão de suas informações sem lançar mão de recursos estilísticos ou
subjetivos.
Adaptação
A adaptação, descrita como o ―limite extremo da tradução‖ por Vinay e
Darbelnet (1958) e por Vàzquez-Ayora (1977) e comentado por Newmark (1988),
é o quarto procedimento primário do eixo da tradução oblíqua. Recorre-se a ela quando existem divergências culturais intransitáveis, em que o que é descrito no
texto de partida não encontra situação equivalente na língua de chegada.
Vinay e Darbelnet (1977) apontam essa técnica como um tipo de
equivalência, mas uma equivalência ―especial e situacional‖. Esse método se
aplicaria desde a simples troca de nomes de livros e filmes estrangeiros por um
título totalmente novo no país de recepção, em função de questões comerciais, ou
para citar o exemplo dado pelos próprios autores, de uma frase como ―He kissed
his daughter on the mouth‖, que não poderia ser literalmente traduzida para o
francês, por exemplo, como a autora Heloísa Barbosa (1990) comentou que o
beijo que o pai dá à filha na boca é substituído por um terno abraço, em francês, já
que na cultura francesa, esse tipo de comportamento não é um costume aceitável.
De acordo com Vinay e Darbelnet, é possível construir um texto
impecavelmente correto sem a adaptação, porém a falta deste procedimento pode
ser notada por dificuldades de compreensão do texto que não se enquadra na
língua de chegada.
Quadro 7 – Adaptação
Texto Original: The History of
Babylonia -Texto Traduzido: A História da
Babilônia
1 Hammurabi - Hamurabi
2 Nebuchadnezzar II - Nabucodonosor II
3 miles - quilômetros
4 feet - metros
No primeiro exemplo, o nome do Rei Hammurabi foi adaptado na tradução
por Hamurabi, possuindo somente uma letra ―m‖, porém não perde a distinção
entre si quando a fala é produzida, ou seja, não sofre a perda de sentido da
palavra.
Já no segundo exemplo, a adaptação do nome do Rei Nebuchadnezzar II
para Nabucodonosor II indica uma alteração diferente, pois na língua inglesa este nome pertence à forma hebraica bíblica, enquanto que, no dicionário em inglês, o
termo Nebuchadnezzar significa ―uma garrafa de vinho, usada especialmente para
exibir, mantendo o equivalente a vinte garrafas normais.‖ Na mesma proporção
que na tradução para o português, o nome acadiano original Nabû-kudurri-uṣur (a
forma como pronuncia Nabucodonosor) é atualmente entendido como um
composto que significa ―Nabu preserva meu primogênito‖. Ambos os significados
retirados do dicionário online Educalingo
Nos últimos dois exemplos, as palavras miles e feet foram adaptadas para o
nosso sistema de medida, respectivamente, ―quilômetros‖ e ―metros‖. Embora os
autores não mencionem casos de conversão de medidas de comprimento, volume
etc como exemplos de adaptação, nós entendemos que transformar esses
sistemas estrangeiros para os da realidade do falante da língua traduzida
contemple também a ideia de adaptação, uma vez que ―milhas‖ e ―pés‖ são
medidas que inexistem na realidade ou cultura dos falantes de língua portuguesa
e preservá-las na tradução não seria funcional e nem deixaria clara a informação
veiculada.
CONCLUSÃO
Diante de tudo que foi exposto ao longo deste trabalho, podemos concluir
que, a tradução do texto é predominantemente oblíqua, segundo a classificação
de Vinay e Darbelnet, pois foram encontrados mais casos de transposição,
modulação e adaptação nela. Apesar de pouco frequente, a forma direta está
presente na tradução literal que aparece em, pelo menos, três casos. Por se tratar
de um texto técnico, notamos a ocorrência de simetria entre os segmentos da
língua-fonte e língua-alvo, em razão da objetividade textual.
Dentre os procedimentos da tradução oblíqua, a transposição teve uma
incidência maior (sobretudo obrigatória), dada a necessidade de rearranjar frases
sintaticamente, mudando a posição de adjetivos ou mesmo reduzindo duas
palavras para apenas uma.
A modulação obrigatória vem logo em seguida em recorrência, visto que
algumas construções linguísticas da língua inglesa não fazem sentido na língua
portuguesa se traduzidas literalmente. Em, pelo menos, três casos a modulação
foi utilizada, justificada pela carência de palavras equiparáveis em significados
entre as línguas, sendo necessária a substituição e, por conseguinte, a
conservação do sentido.
A terceira técnica de tradução oblíqua destacada no texto é a adaptação.
Em virtude das diferenças culturais que cada língua carrega, foi imprescindível a
conversão de unidades de medida de milhas para quilômetros, por exemplo, uma
vez que tal parâmetro de medição não faz sentido aos falantes do português
brasileiro. Outro caso de adaptação presente em quase todo o texto foi o nome
próprio (Nebuchadnezzar) para Nabucodonosor, dada a preexistência da palavra
na língua portuguesa.
Por fim, nossa percepção acerca do processo de tradução foi que alguns
dos métodos descritos por Vinay e Darbelnet não foram localizados no texto, como
o empréstimo, o decalque e a equivalência.
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